Sinto q o tempo foge de mim. Passa correndo, cada vez mais apressado. Tem pressa em me ver decrépita, sem forças. Tanta pressa, e vejo que não vivo. Ou me parece que não. speedy gonzales, speed racer, road runner, the flash, ninguem é páreo para o tempo. O tempo só perdoa os imortais que deixam seu rastro resistente. Eu sou só mais uma por quem o tempo passa, incógnita. Passa o tempo, me rouba tudo, e sequer sabe o meu nome. Another year goes by, in the night. Não me arrependo de nada do que passou. Temo me arrepender do que não esteja fazendo agora. Mil escolhas, e só posso pegar um. Se pegar um, perco as outras. Nunca foi tão nítido esse caminho de RPG, faça sua escolha e viva as conseqüências, pois até agora parecia que somente aconteciam, e eu recebia o turbilhão. Sem perceber quando havia feito a escolha, já estava no meio dele. A vida podia ter undo. E estou me contradizendo.
Ultimamente, tenho feito uma nostálgica sessão musical. ouvindo o que ouvia há 10 anos atrás. Algumas coisas ja não me atraem. outras me divertem ainda. Letras que eu cantava sem saber o significado me dão insights inesperados e às vezes indesejados.
Como falei q faria, estou lendo "A Mulher de Trinta Anos", de Balzac. Queria ver se é merecida a alcunha de "Balzaquiana" que se dá às mulheres dessa faixa de idade. Não mais. O livro precisa de um upgrade urgente para q se possa chamá-las assim, Q upgrade, se o autor já morreu? Injustiças, semelhanças, muitas diferenças separam a mulher de dois séculos atrás descrita por Balzac com as atuais. Uma injustiça? Ao falar de um homem de trinta anos, associa a ele a mocidade, a juventude. À mulher de trinta anos, por outro lado, refere-se como madura, que apesar da idade, conserva a beleza. Bom, falta um pouco para eu chegar lá, o suficiente para terminar outra faculdade, se eu correr, ou ao menos uma pós e passar um tempo em outro país. Até chegar lá, sabe se lá em que tipo de mulher de trinta anos me tornarei.. amarga e estúpida eu já sou hj, uma última folha que caiu do galho de uma árvore invernal. Vendo suas irmãs mortas, amontoadas no chão, soube que não voltaria mais à mãe que a alimentou. Perde todas as esperanças e se vai, varrida e amontoada com suas irmãs em um grande saco de lixo, para ser queimada depois. Poderia jamais saber que na primavera sua árvore mãe voltaria a recuperar as folhas, ficaria verde e viçosa, e que apenas fazia parte de um ciclo. Um ano se passa e leva embora as folhas das árvores, nascidas nove meses antes.
Mas a árvore-mãe jamais se recuperou.

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