Odores e fedores
Quando eu era quase adolescente, uma colega de escola me perguntou qual perfume eu usava. No que eu respondi "nenhum", ela falou "sua fedida!". Como uma pré-adolescente em busca de uma identidade desesperadamente, me aventurei a brigar com alguns perfumes (deo-colônias, para se mais precisa) para deixar de ser fedida, mas depois de perceber que os vidrinhos acabavam vencendo cheios no fundo de uma prateleira de meu guarda-roupa, vi que era uma briga perdida. No entanto, percebi também que eu estava longe de ser "fedida". Fedidos são os outros, escravos dos odores, que passam litros de perfume e deixam aqueles rastros perceptíveis a quilômetros de distância. Não posso classificar senão como fedor o odor daquele perfume caríssimo, se me faz passar mal.
O perfume foi criado para esconder o fedor humano, quando o banho não é um hábito diário. Qual utilidade tem nesta sociedade que toma banho todos os dias? (talvez não no inverno, alguns podem confessar...). Na minha opinião, nada melhor que o cheirinho sutil de sabonete junto com o odor natural de pele... e no máximo um desodorante neutro. Um odor agradável, que não se impõe.
O cheiro seria um sinal de personalidade? Se for, pelo que vcs leram, eu não tenho nenhum :P (sinal de personalidade, não cheiro). "Se vc é assim, use perfume tal. Se vc é assado, o perfume tal combina com o seu jeito de ser"... Se eu sou eu, vou usar meu cheiro...
(opinião oposta ao de Jean-Baptiste Grenouille, protagonista de "O Perfume", de Patrick Suskind, para quem odor humano e fedor eram sinônimos... e estava sempre em busca do perfume ideal, extraído de jovens moças virgens. Ele nasceu inodoro - de acordo com algumas interpretações: inodoro = sem identidade - e com a capacidade de captar todos os odores ao seu redor. Talvez eu tenha sorte de não ter nascido com o nariz dele, só isso :P )
obs. logicamente, nada contra aqueles que utilizam perfume com bom senso, algo em falta nos ambientes que frequento.

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